Sábado, Março 05, 2005

Sentimento de Frustração

Um livro perdido numa biblioteca com milhares de outros que o escondem de ser lido e folheado.

Da formação do governo

É tempo de dar mais importância ao conteúdo e não tanto à forma. Elogiar José Sócrates pelo registo discreto e sigiloso com que formou governo é um elogio mas apenas isso. Um elogio não ao conteúdo dessa mesma formação, mas sim à forma como esta foi feita. Além do mais, considero que o o registo com que a comunicação social aborda esse processo de formação diz respeito mais à comunicação social do que ao primeiro-ministro em si. As notícias todas andam nas redacções há vários dias, a sua publicação não sai, a razão porque tal acontece diz respeito à imagem que o Partido Socialista tentou passar aquando do "habituem-se" de António Vitorino quando questionado sobre a ausência de notícias sobre a formação de governo, mas também e principalmente devido a decisão dos orgãos de comunicação social. Estes ainda são o quarto poder, mas um poder cada vez mais forte e cada vez menos regulado.

Quarta-feira, Março 02, 2005

Na blogoesfera

O Blasfémias faz um ano.
Os
Marretas já fizeram. Já vão no segundo.
O
Insurgente ainda não fez uma semana.

Blogue de um best-seller só

Andava há já algum tempo há procura de disponibilidade, e confesso, pretexto e desculpa para escrever sobre o Barnabé. A desculpa já a tenho, o pretexto é o mesmo. Apenas falta a disponibilidade e... a vontade de bater naquele que outrora já foi o melhor blogue português [opiniões expressas à parte].

Sócras

Sócrates. Não custa soletrar, custa a dizer. Devido ao nosso [ainda não estou habituado a este pronome possessivo] novo primeiro-ministro descobri que, tal como a senhora que vociferava orgasmicamente o nome de «Sócras» na noite eleitoral de dia 20 em frente ao Hotel Altis, também eu tenho alguma dificuldade em pronunciar todo o nome do nosso [again...] primeiro-ministro num discurso corrido.

Em direcção ao Coliseu

Tenho pouco mais de uma semana para conhecer, ouvir e ter a certeza de vir a adorar todos estes albúns. O senhor artista é Rufus Wainright. Bem sei que já o devia conhecer, já devia cantarolar as suas músicas há vários anos enquanto caminho pelos passeios cá do burgo. Ainda não o fiz, tenho uma semana para o fazer, a caminho do Coliseu.

Terça-feira, Fevereiro 22, 2005

Novamente, a notícia antes do facto

Caso se confirme a notícia que Santana Lopes não se vai recandidatar ao cargo de Presidente do PSD, tenho a certeza que o ar vai ficar mais puro para aquelas bandas.

Não há coincidências

Já que Bush está na Europa, quando é que se decide a reinvidicar o terramoto que abalou o Irão? Quem vai ter exércitos de robots pode perfeitamente ter mecanismos de interferência com as placas terrestres. Nos filmes havia. Eram os mesmos que tinham os robots.

Sócrates visto da França

roubado ao «BdE II»


Cartoon de Pancho, «Le Monde»

Déficit Democrático

Acontece quando na primeira participação num sufrágio eleitoral, votamos nulo, não damos uma pancada seca com a palma da mão na urna depois de lá colocar o voto, e não seguimos o movimento e com a mesma mão cumprimentamos o sempre ilustre cidadão que preside à mesa de voto.

Cartoon





Clay Bennett, The Christian Science Monitor, Boston

Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005

Rosa Choque

Não me surpreende que o Portugal que hoje conhecemos seja bem mais aberto, tolerante e progressista do que o de outrora. Sinal dos tempos dirão alguns e digo eu também. Sinónimo de desenvolvimento e civilidade também. Contudo não deixo de me surpreender que de um dia para o outro, excepto os habitantes de Leiria, sejamos todos rosinhas agora.

Caminho mais curto?

Num país onde são poucos os que conhecem e realmente respeitam o Código da Estrada, veremos se esta curva à esquerda, nos leva a um beco sem saída, alguma estrada sinuosa ou pelo contrário, ao mais curto caminho para a auto-estrada para Madrid, Paris, Berlim ou Londres.

Apontamentos sobre a noite eleitoral

1. Deixando de lado vitórias morais e até mesmo reais em termos de aumento do número de votos e de deputados, CDU e Bloco de Esquerda não podem chamar a si a vitória da esquerda em Portugal. A "virança" tal como Ana Drago a chamou, deu-se em direcção ao Partido Socialista. CDU e Bloco, não farão mais com os seus deputados do que haviam feito com Louça, Fazenda, Bernardino Soares ou Odete Santos. Mais espaço, mais funcionários, mais verbas, mais secretárias em São Bento, mas um aumento de influência política que será na prática, residual.

2. José Sócrates. Largou o discurso para o que havia sido intensamente preparado, deixou de lado o uso repetitivo de palavras em frases feitas, como esperança, mudança ou futuro. Usou-as, é óbvio que o fez, mas hoje foi tempo de agradecer ao Partido Socialista, dar vivas ao Partido Socialista, pedir aos Portugueses que acreditem no Partido Socialista. Sócrates ainda não devia estar consciencializado que naquele palanque não iria a mais um discurso de campanha, era o seu primeiro discurso enquanto Primeiro-Ministro escolhido pelos Portugueses.

3. Jorge Sampaio deve ter vibrado bastante com esta esmagadora vitória do seu PS. Foi um peso que lhe saiu dos ombros. Resta saber se tinha consciência que estava a fazer e o carregou propositadamente ou se tudo isto foi uma consequência de algo inadiável. Não há dúvida, que se provocado por este, Sampaio foi tremendamente vitorioso na sua estratégia.

4. Tendo votado ou não no PS, todos reconhecem que este resultado tem a virtude de nos poupar a mais instabilidade, a mais sarilhos e porventura a negócios políticos menos claros. São quatro anos fundamentais para o futuro da nosso país, da nossa economia, do nosso tecido social, da nossa estrutura enquanto país. Para que o PS esteja preparado para arcar com essa responsabilidade enormíssima, não pode governar sozinho. Um PSD forte, unido, crítico e construtivo é fundamental para essa dinâmica e para esse controlo parlamentar ao Governo - dentro daquilo que a maioria absoluta socialista permite. O mesmo se passa com o Presidente da República que sucederá a Jorge Sampaio. Portugal não precisa apenas de um bom governo, precisa de bons governantes e de bons políticos, estejam eles de que lado estiverem.

O que eles devem querer...

O que eles devem querer é a verdade, a dignidade de volta à política. Eles devem querer lutar por uma justiça social e pelo desenvolvimento harmonioso. Eles devem querer pagar impostos, sentindo-se priveligiados por o fazerem. Eles querem trabalhar justamente e ser justamente pagos. Eles querem ser úteis à sociedade, e querem que a sociedade lhes seja útil. Eles querem-se sentir representados, mas não há nenhuma cadeira em São Bento que lhes sirva.

Brancos 103555 [1,81%]
Nulos 63765 [1,12%]

Domingo, Fevereiro 20, 2005

Com isenção era mais justo

O papel da comunicação social e a forma como esta tratou jornalisticamente a campanha do PSD e o próprio Santana Lopes faz-me lembrar aqueles árbitros de futebol que num jogo entre entre duas equipas com qualidades futebolísticas bem diferentes, teimam em beneficiar a melhor equipa, aquela que a 20 minutos para o fim está a ganhar por 3-0, não deixando a outra sequer mostrar o seu futebol, dando repetições dos golos sofridos, dos passes errados e ignorando propositadamente os remates à baliza e as jogadas de (des)entendimento.

Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005

Aferição de desenvolvimento

São vários os factores que fazem parte dessas elaboradas equações para averiguar o desenvolvimento e qualidade de vida num dado país, uma numa certa sociedade. Vários são os organismos que elaboram relatórios e mostram resultados sobre estados de desenvolvimento e rankings de qualidade de vida, por exemplo.
Fugindo a estas análises de cariz mais técnico e científico mas concerteza fiáveis, contrapõe o povo e outros estudos mais empíricos, as suas fórmulas de aferição do grau de desenvolvimento de um país, olhando para a forma como tratam os seus presos, como tratam os seus animais domésticos, como tratam das suas florestas e espaço natural.
Caso sintomático, ou não, veja-se o tempo dispendido nesta campanha eleitoral, com temas como a Justiça e o Ambiente. Dou dois exemplos. Podia dar mais, tal como a Educação ou a Política Externa. Pobres líderes, os nossos. Pobres de nós, que entre eles temos que escolher.

Onde está a novidade?

Foi preciso o freeze daquele momento. A prova fotográfica daquilo que já todos sabemos [post simpaticamente linkado pelo Jumento, a Funda São, Ai o camandro, o Bico de Gás e o Vilacondense].
Existe apenas algo que não percebo. Onde está a novidade no facto de Paulo Portas se estar a marimbar para Santana Lopes? Veremos até que ponto esta falta de solidariedade política e até pessoal, não será sentida no domingo. Não estou a falar do acordo pós-eleitoral entre os dois partidos, apenas e para já, só falo dos resultados.

Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005

A incapacidade nacional

Na sequência de uma patrulha no bairro da Cova da Moura, um carro da polícia foi atacado, severamente atacado com tiros de armas automáticas e caçadeiras. Um dos polícias acabou por morrer, outro ficou ligeiramente ferido. O director da PSP nada disse, ou melhor, apenas comunicou que este momento é de união e não de separação. União da parte de quem? Dos polícias numa solidariedade que não pode passar disso por não terem os meios de precaver situações destas? Ou da família, que não vai receber um tostão já que o polícia não era casado? Quem lê isto, até poderia pensar que o senhor Director está a ser politicamente correcto, e mais uma vez está a fugir às responsabilidades e explicações públicas. Não é o caso - o senhor é mesmo doido.

Endorsement

Objectivo: Impedir sentimentos de culpa.
É o que acontece em desgraças. Existe sempre uma parte de culpa que reservamos a nós próprios. O colega que tropeçou e caiu das escadas, nós que estávamos a 4 metros e que bem o podíamos ter agarrado. O miúdo que teve uma indigestão, e nós que não paramos de pensar que deviamos ter esperado mais do que aquelas 3horas para lhe dar o gelado. O amigo que teve um acidente de automóvel e nós que não telefónamos para o precaver da chuva e do nevoeiro.
É como em tudo. A responsabilidade pode não ser nossa, mas a culpa tem de ser, nem que seja só um pouquinho dela.
No dia 20 vou votar em branco, seja qual for a cor da desgraça que se seguir, não me vou sentir minimamente culpado. Ou irei?

Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005

Alergia ou mensagem subliminar?





Tenham visto ou não, reparado ou não, dado importância ou não, este coçar de nariz de Paulo Portas deu-se durante uma intervenção de Santana Lopes onde este já na parte final do debate de ontem, dizia qualquer coisa como: «Os Portugueses já sabem com quem iremos nós fazer uma coligação, caso o PSD seja o partido mais votado mas não chegue à maioria». A comichão deu-se logo depois desta frase. Será alergia?

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005

Este blogue... [Act]

acabou aqui.
PS: Ou talvez não. Logo se vê. De qualquer maneira os serviços serão minímos. [16.2.05]

Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005

A inspiradora história do Ocidente, num post.

«Many believed, for example, in what they called «Western values». The West stood for freedom, human rights, democracy, the rule of law. These good things, they tought, had grown mainly in the West and distinguished us from the others. The (hi)stories we tell ourselves are also the history of our own times - and a sometimes unitentional account of our intentions. During the Cold War, generations of American school and university students were thaught an inspiring story of Western Civilization, marching onward and generally upward from ancient Greece and Rome, through the spread of Christianity in Europe, the Renaissance, the Reformation, the Enlightenment, the English, the American and French Revolutions, the development of Capitalism, the bourgeoisie, and universal suffrage, two World Wars and the Cold War, to the sunlit uplands of an American-led «Atlantic Community». In the grand narrative of «Western Civilization», the West began in Europe and ended in the hand of America. It went from Plato to Nato.» Timothy Garton Ash, Free World.

Domingo, Fevereiro 06, 2005

Pela Chuva

Foi a primeira vez que assisti a uma procissão que não aquela em que desde miúdo participava. Da varanda da casa dos meus avós, em frente à Igreja Matriz de Sesimbra. Estava em Cabo Verde, na cidade do Mindelo. Era também ali que pela primeira vez visitava um país dito, não desenvolvido. Absorvia tudo, tentava absorver tudo. As paisagens, os cheiros, as vistas, as pessoas, os edíficios, os animais. Lembro-me que na altura muita coisa me surpreendeu, pela positiva, diga-se. Uma delas, sem dúvida, foi uma procissão a que assisti nessa mesma cidade. Rezava-se por chuva. Era uma procissão como qualquer outra, mas com o sabor próprio daquela terra, os ornamentos mais toscos, as vestes gastas, as folhas de palmeira como sombra. Não havia bandas, não havia escuteiros ou bombeiros voluntários. Na altura pensei, no azar daquele povo trabalhador, humilde e acolhedor que era fustigado com tamanha seca, tamanhas terras áridas e infertéis. Também pensei na sorte do nosso país, sem ter que socorrer a fés para trabalhar a terra, fés cegas mas reconciliadoras. Afinal não tinha razão. Afinal, resulta mesmo.

Instável, certo?

Somando à face 6 as restantes faces dos dados, ficamos com o belo número de 68. 68 anos, que dentro de algum tempo deverá ser a idade da reforma em Portugal. Mas, a estrutura continua suspensa por dois dados, certo? Instável, certo?


Clay Bennett, The Christian Science Monitor, Boston

Sábado, Fevereiro 05, 2005

O Pulha, por Gonçalo M.Tavares.

Era uma vez um pulha. Esse homem, apesar de pulha, tinha dois mandamentos éticos; mandamentos que seguia sempre, sem qualquer desvio. O primeiro princípio ético era: Só fazer pulhices, se tal lhe trouxer popularidade. O segundo princípio: Não fazer pulhices, se estas não lhe trouxerem popularidade. Assim, certas vezes ele fazia pulhices, outras vezes não fazia pulhices. Quando fazia pulhices, era porque seguia o seu primeiro princípio ético. Quando não fazia pulhices, era porque seguia o seu segundo princípio ético. Naquele dia, o pulha - mal acordou - fez logo a primeira pulhice. Passados uns minutos fez a segunda pulhice. Uma hora depois fez a terceira pulhice. A seguir: a quarta pulhice. Uma hora mais tarde: quinta pulhice. A seguir: sexta pulhice. E com meia hora de intervalo: sétima pulhice, e oitava. A nona chegou pouco passava das seis da tarde. E a décima pulhice foi feita à hora de jantar. Mal acabara de fazer esta décima pulhice, as pessoas em volta levantaram-se e protestaram: - É a décima primeira pulhice que você faz hoje. Já chega! O rosto do pulha ficou vermelho; e irritado disse: - Não é verdade! Esta não foi a décima primeira pulhice que eu fiz! Vocês estão a mentir! O pulha acabou a exigir um pedido de desculpas a todos os que o rodeavam, e foi para casa sentindo-se muito ofendido. (Ficções do Senhor Kraus)

Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005

Arrogâncias

Há já largos dias, aquando da apresentação da possivel-hipotética-pouco provavél equipa governativa do Partido Popular, José Sócrates disse que era de uma grande arrogância os partidos divulgarem e comprometerem-se com equipas de governo e possíveis ministros. Eu concordo, também achei de uma tremenda arrogância ontem só ter assisitido no debate à presença de dois candidatos a deputados. Um cabeça de lista por Lisboa, outro por Castelo-Branco... não percebo estas selecções.

Séries para recordar numa sexta-feira à tarde (II)



Knight Rider, ou em português, simplesmente, KIT ou Michael Knight.

Séries para recordar numa sexta-feira à tarde (I)



The A-Team, ou em português, O Esquadrão Classe A.

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

Falta de cultura televisiva

Não me lembro da última vez que passei tanto tempo a ver o Canal 2: em horário nobre. Hoje vi, e escolhi um mau dia.

Da Democracia em Portugal

Estava a pensar escrever um post sobre a pré-campanha eleitoral que se vive, o debate que se aproxima e a campanha que se avizinha. Não o faço - ainda ninguém fez mais do que isso.

Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005

Cartoon


Clay Bennett, The Christian Science Monitor, Boston

E O Durão Não Faz Nada?

«Portugal pode perder 20 por cento dos fundos comunitários a partir de 2007»


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