1. Deixando de lado vitórias morais e até mesmo reais em termos de aumento do número de votos e de deputados, CDU e Bloco de Esquerda não podem chamar a si a vitória da esquerda em Portugal. A "virança" tal como Ana Drago a chamou, deu-se em direcção ao Partido Socialista. CDU e Bloco, não farão mais com os seus deputados do que haviam feito com Louça, Fazenda, Bernardino Soares ou Odete Santos. Mais espaço, mais funcionários, mais verbas, mais secretárias em São Bento, mas um aumento de influência política que será na prática, residual.
2. José Sócrates. Largou o discurso para o que havia sido intensamente preparado, deixou de lado o uso repetitivo de palavras em frases feitas, como esperança, mudança ou futuro. Usou-as, é óbvio que o fez, mas hoje foi tempo de agradecer ao Partido Socialista, dar vivas ao Partido Socialista, pedir aos Portugueses que acreditem no Partido Socialista. Sócrates ainda não devia estar consciencializado que naquele palanque não iria a mais um discurso de campanha, era o seu primeiro discurso enquanto Primeiro-Ministro escolhido pelos Portugueses.
3. Jorge Sampaio deve ter vibrado bastante com esta esmagadora vitória do seu PS. Foi um peso que lhe saiu dos ombros. Resta saber se tinha consciência que estava a fazer e o carregou propositadamente ou se tudo isto foi uma consequência de algo inadiável. Não há dúvida, que se provocado por este, Sampaio foi tremendamente vitorioso na sua estratégia.
4. Tendo votado ou não no PS, todos reconhecem que este resultado tem a virtude de nos poupar a mais instabilidade, a mais sarilhos e porventura a negócios políticos menos claros. São quatro anos fundamentais para o futuro da nosso país, da nossa economia, do nosso tecido social, da nossa estrutura enquanto país. Para que o PS esteja preparado para arcar com essa responsabilidade enormíssima, não pode governar sozinho. Um PSD forte, unido, crítico e construtivo é fundamental para essa dinâmica e para esse controlo parlamentar ao Governo - dentro daquilo que a maioria absoluta socialista permite. O mesmo se passa com o Presidente da República que sucederá a Jorge Sampaio. Portugal não precisa apenas de um bom governo, precisa de bons governantes e de bons políticos, estejam eles de que lado estiverem.